São sete da manhã e o celular já foi aberto quatro vezes. Não por mensagem, não por ligação. Por notícia. A mesma manchete de ontem à noite, agora com um número atualizado, um comentário a mais, uma foto diferente do mesmo fato.
Dá para passar o dia inteiro assim. De app em app, de aba em aba, pulando do clima político para o resultado do jogo, do acidente na marginal para a cotação do dólar. No fundo, uma sensação meio estranha de que, se parar de olhar, alguma coisa importante vai passar despercebida. E aí o celular volta pro bolso por cinco minutos, no máximo.
O corpo acha que está se protegendo
Faz sentido, lá no fundo. A ansiedade gosta de achar que sabendo tudo, ela consegue se antecipar a tudo. É um raciocínio meio torto, mas convincente: se eu souber do perigo antes, talvez eu escape dele. O problema é que notícia ruim não avisa no calendário. Ela aparece quando aparece, e a sensação de controle que o scroll promete nunca chega de fato.
O resultado é um looping. Você lê, sente um aperto no peito, fecha o aplicativo, abre de novo quinze minutos depois para ver se mudou algo. Raramente muda. E o aperto no peito, esse sim, costuma ficar.
O grupo da família não ajuda muito
Tem também aquele reencaminhamento no grupo do WhatsApp da família. Uma prima manda um áudio de dois minutos sobre o aumento do preço do gás, um tio responde com um print de outra notícia, alguém manda um
Um cuidado que muda a relação com o que você sente
A psicoterapia é, hoje, um dos caminhos mais eficazes para cuidar da ansiedade: um espaço regular, com um terapeuta, para entender de onde vem o alerta constante e construir, aos poucos, uma vida em que ele não dá mais as ordens.
