Abre a bolsa e lá está: o carregador enrolado, o cabo reserva, às vezes até um powerbank do tamanho de um tijolo. Pesa, atrapalha, mas sai de casa sem ele? Nem pensar.
Repare na cena do metrô, ou da sala de espera de qualquer lugar. Sempre tem alguém de olho na tomada mais próxima, calculando se dá tempo de roubar uns minutinhos de carga antes do ônibus chegar. Não é frescura. É um tipo de cuidado que, em algum momento, deixou de ser prático e virou vigilância.
O que o número ali na tela representa
Dezenove por cento. Dezoito. O coração aperta um pouco a cada queda, como se a bateria do celular fosse o próprio fôlego da pessoa indo embora. E de certa forma é isso mesmo que a mente sente: a possibilidade de ficar sem contato, sem resposta, sem controle sobre o que pode acontecer lá fora enquanto o telefone está morto na bolsa.
Ninguém tem medo do aparelho em si. O medo é de não conseguir responder se alguém precisar, de perder uma ligação importante, de ficar sem saber o que está acontecendo. É o imprevisto de novo, só que dessa vez disfarçado de ícone vermelho no canto da tela.
Quando o cuidado vira peso

Até aí, tudo bem: ter um carregador na bolsa é esperteza pura, ninguém vai reclamar disso. O problema é quando esse cuidado começa a consumir atenção o dia inteiro. Quando a pessoa interrompe uma conversa pra procurar tomada. Quando recusa um passeio porque
Um cuidado que muda a relação com o que você sente
A psicoterapia é, hoje, um dos caminhos mais eficazes para cuidar da ansiedade: um espaço regular, com um terapeuta, para entender de onde vem o alerta constante e construir, aos poucos, uma vida em que ele não dá mais as ordens.
