Tem uma pasta no seu celular, mesmo que você nunca tenha chamado ela assim, cheia de rascunhos. Fotos editadas três vezes, legendas reescritas, stories que começaram a subir e foram cancelados no último segundo. A maioria nunca vê a luz do dia.
Não é frescura, e também não é falta de assunto. É que postar alguma coisa, por menor que seja, significa entregar um pedacinho de você para um público que você não controla. E a cabeça ansiosa adora imaginar esse público em detalhes: quem vai comentar, quem vai só olhar e não curtir, quem vai mandar print pra outra pessoa comentando algo que você nunca vai saber.
A plateia que mora na sua cabeça

O curioso é que, na vida real, quase ninguém presta tanta atenção assim. As pessoas estão ocupadas demais com as próprias postagens, suas próprias dúvidas sobre qual foto escolher. Mas tenta falar isso pra alguém no meio da hesitação, segurando o celular, o dedo pairando sobre o botão azul. Não adianta muito.
Porque o medo não é exatamente do julgamento alheio. É de um julgamento imaginado, editado, amplificado — uma versão interna que já decidiu, antes mesmo de qualquer comentário real aparecer, que algo vai dar errado.
O custo de nunca apertar o botão

Tem gente que resolve esse impasse não postando nada. Parece seguro, mas cobra um preço silencioso: a sensação de estar sempre de fora, vendo a vida dos outros passar na tela enquanto a sua fica guardada numa pasta de rascunhos que ninguém vai ler.
E tem gente que posta, mas paga um pedágio alto por isso. Fica checando quem visualizou, apagando se a curtida demora, reeditando a legenda uma hora depois porque percebeu uma vírgula
Um cuidado que muda a relação com o que você sente
A psicoterapia é, hoje, um dos caminhos mais eficazes para cuidar da ansiedade: um espaço regular, com um terapeuta, para entender de onde vem o alerta constante e construir, aos poucos, uma vida em que ele não dá mais as ordens.

